domingo, 9 de dezembro de 2012

“Teu canto é a promessa de um ano chovedor”


Luiz Gonzaga (Divulgação)
Na semana em que completaria cem anos, Luiz Gonzaga (1912 - 1989) é homenageado em todas as partes do País. Mas a chuva no nordeste, problema que cantou ao mundo, vive seu período de maior escassez.

As dificuldades desde a infância, realidade de todo sertanejo a peleja por água para sobreviver à sombra da plantação e do gado, não intimidou o filho de seu Jenuário e dona Santana a se aproximar da música. Pelo contrário, Luiz Gonzaga mostrou ao mundo os problemas vividos na terra árida do sertão brasileiro.

Num cenário de sol intenso e nos intervalos de trabalho árduo na roça, ele aprendia com o pai a tocar acordeon, e foi assim que seu talento surgiu nos bailes, forrós e feiras de Exú, cidade de Gonzaga, que nem mesmo às margens do Rio Brígida demonstrava piedade pelo povo sofrido.

A dor de um amor proibido entre um simples sertanejo e a filha de um coronel, que daria um belo roteiro de novela para o autor chileno Arturo Moya Grau, foi decisiva na saída de Gonzaga do seu berço amado. Ele deixou Exu e migrou no exército cearense quando se apaixonou por Nazarena, mas não foi aceito pelo pai da moça.

Passados oito anos no exército cearense, o cantor se mudou para o Rio de Janeiro decidido a se dedicar a música. Enquanto vestia paletó e gravata nas apresentações e cantava normalidades, Luiz Gonzaga não fazia diferença entre outros calouros em busca do sucesso. Mas em 1941, ele cantou uma música de sua autoria – Vira e Mexe - com a temática regional do nordeste no programa de rádio de Ary Barroso. O resultado lhe rendeu um contrato com uma gravadora da época.

Em 1945, Luiz Gonzaga gravou sua primeira música como cantor: “Dança Mariquinha”, em parceria com Saulo Augusto Silveira Oliveira. No Ano seguinte ele voltou a Exu, desde que tinha saído da terra natal, Luiz não falava com ninguém da família. 

Vestido de vaqueiro, e com mais de duzentas músicas gravadas, ele foi o artista que mais vendeu discos de 1946 a 1955. Suas obras sobre carências e histórias do nordeste são conhecidas até os dias de hoje, depois de ter passado quase vinte e quatro anos sem Gonzagão. 

 Entre os sucessos, estão: "Vozes da Seca", "Algodão", "A Dança da Moda", "ABC do Sertão", "Derramaro o Gai", "A Letra I", "Imbalança", "A Volta da Asa Branca", "Cintura Fina", "O Xote das Meninas", "Juazeiro", "Paraíba", "Mangaratiba", "Baião de Dois", "No Meu Pé de Serra", "Assum Preto", "Légua Tirana", "Qui Nem Jiló".

Mesmo depois da morte de Gonzaga e de suas preces por um olhar sobre o sertão, a região continua igual. O país todo se desenvolveu, menos essa parte apagada do Brasil. Até as obras da transposição do Rio São Francisco - esperança de água para os nordestinos - parece que foi esquecida pelos governantes. Esse povo, desde a época de gonzaga, só tem uma saída: Perguntar a Deus, por que tanta judiação.

Oh chuva! Peço que caia devagar, e só molhe esse povo de alegria.